terça-feira, 20 outubro , 2026

Vice Hamilton Mourão diz que ‘conta’ irá para as Forças Armadas se governo ‘errar demais’

O vice-presidente Hamilton Mourão disse neste domingo (7) em evento nos Estados Unidos que, se o governo Jair Bolsonaro “errar demais”, a “conta” irá para as Forças Armadas.

Ele fez a afirmação em resposta a uma pergunta sobre a presença de militares no governo durante um painel da Brazil Conference, em Boston, evento organizado por estudantes da Universidade de Harvard e do Massachussetts Institute of Technology (MIT).

Neste domingo, foi divulgada pesquisa do instituto Datafolha, segundo a qual a avaliação do governo é a pior de um presidente em início de mandato desde 1990.

Questionado por um estudante sobre a possibilidade de a presença de vários militares em cargos e funções de governo “corroer” a “unidade” e a “legitimidade” das Forças Armadas, Mourão afirmou que o governo não pode errar demais.

“Se o nosso governo falhar, errar demais – porque todo mundo erra –, mas se errar demais, não entregar o que está prometendo, essa conta irá para as Forças Armadas. Daí a nossa extrema preocupação”, declarou o vice.

Ele também se referiu a uma conversa com Bolsonaro no dia do segundo turno da eleição, depois de confirmada a vitória nas urnas.

“E as palavras que o presidente falou no domingo à noite, no dia 28 de outubro, quando fomos eleitos. Ele olhou pra mim e disse assim: ‘Nós não podemos errar’”, afirmou Mourão.

O vice-presidente disse que as Forças Armadas “não estão no poder”, embora dois militares tenham sido eleitos [Bolsonaro e ele].

“O presidente Bolsonaro, 30 anos fora das Forças Armadas, ele é um político, mais político do que um militar, mas carrega dentro de si obviamente toda aquela formação que nós tivemos”, afirmou.

Segundo Mourão, os militares chamados a compor o governo estão todos na reserva, e as Forças Armadas “continuam com a sua missão constitucional de defesa da Pátria”.

Ministério da Educação

Mourão também foi questionado sobre a perspectiva de uma reforma educacional, levando em consideração a situação do Ministério da Educação.

O vice-presidente reiterou a declaração dada por Bolsonaro e disse que a pasta passa por problemas. Durante café da manhã com jornalistas na sexta-feira (5), o presidente afirmou que “está bastante claro” que a gestão no ministério “não está dando certo”.

“Estamos com um problema no Ministério da Educação. O presidente vai tomar uma decisão a esse respeito amanhã [segunda-feira, 8] de acordo com o que ele definiu. E a nossa visão, nosso governo, nós temos de investir pesado na educação básica. Investimos muito no ensino superior e pouco na educação básica”, disse Mourão.

“Não sei se o ministro Vélez vai ser mantido, se o presidente vai mudá-lo, vai colocar outra pessoa, mas nós temos que resolver esse problema de imediato”, afirmou.

Relacionamento com o Congresso

O vice-presidente ainda disse que a intenção do governo é buscar “maiorias transitórias” no Congresso, associadas a reformas.

Em sua fala, Mourão admitiu que a proposta inicial, de negociar com bancadas temáticas, não deu certo.

“Agora, o presidente mudou a estratégia. Essa estratégia não deu certo. Eu entendo que a visão dele é buscar maiorias transitórias para cada uma das nossas propostas. A proposta chave agora é a aprovação da reforma da Previdência. Então, vamos construir uma maioria para ela”, disse.

Segundo ele, essa é uma nova forma de se tentar organizar o relacionamento com o Congresso.

“É óbvio que tem de haver diálogo. O governo tem de ter clareza, ninguém pode ter dúvida sobre os objetivos do governo, tem que ter determinação, para levar à frente e buscar a conquista desses objetivos, e ter paciência. Muita paciência e muito diálogo”, declarou.

100 dias de governo

O vice-presidente foi perguntado sobre o que mudaria nos primeiros 100 dias de governo caso fosse ele o presidente da República. Mourão disse que a parceria que tem com Bolsonaro “é total” e faria tudo outra vez.

“Talvez, pela minha personalidade, escolhesse outras pessoas para trabalhar comigo”, afirmou o vice-presidente.

Mourão não comentou diretamente a pesquisa Datafolha, mas afirmou que há uma “ansiedade muito grande por parte da sociedade” e que vê como uma eventual queda da popularidade do presidente como algo natural.

“Existe uma ansiedade muito grande por parte da nossa sociedade. As pessoas clamam por mudanças”, disse.

“As pessoas querem que a gente acelere as coisas. Mas todos têm que entender uma coisa: o Executivo não tem varinha de condão – seria ótimo. O presidente Fernando Henrique passou oito anos nessa luta”, afirmou.

Segundo ele, é preciso “dialogar permanentemente” com o Congresso.

“Temos que entender a fisiologia lá dentro, como estão reagindo às coisas, buscar convencer. No caso específico do sistema previdenciário, temos de convencer o Congresso de uma forma e a população de outra forma. Leva algum tempo. É normal isso para mim”, declarou.

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